29.9.08
TEORIA DA PREGUIÇA - rascunho 01
entre nada, tudo e preguiça. embora se acredite na idéia totalizadora e na incapacidade para dimensionarmos o tudo, de nada adianta avaliar a idéia que ele carrega sobre a ótica cartesiana. o valor e a dimensão do tudo, contidos em sua capacidade de abrangência, são pequenos ainda perto do que pode conter o nada.
antes do início do mundo, antes desse momento que a cada vez que chegamos perto de provar prova nunca ter sido o primeiro, antes do primeiro instante de um segundo, antes da primeira e indivisível partícula do que viria a ser o tudo, existia alguma coisa, que a cada vez se prova de impossível dimensionamento. esse instante do universo é sem definição; não temos a menor idéia de onde ele começa - no máximo, chegamos perto de uma idéia de seu fim a cada vez que definimos o início do que os crentes poderiam chamar de Criação. portanto, para além da ciência e de suas explicações, e sem fazer uso do recurso da fé, o que vem antes se prova indefinível. esse instante infinitesimal, anterior, primeiro, originador, é, portanto, ainda maior que tudo que conhecemos. por não sabermos exatamente onde ele termina, não podemos avaliar onde ele começa, portanto o nada se prova de uma capacidade monumental. pode conter em si vários tudos.
ao pensar nessa vastidão do nada, longe de um não ser, maior e mais avassalador que qualquer dor que pudermos sentir.
nada é tão vazio assim.
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